Professor VS Aluno mal Educado 'Não me arrependo', diz professor que escreveu 'mau-caráter' em prova, "Será que a credibilidade do professor não existe mais"

Professor Remildo Campos diz que queria chamar a atenção da mãe do aluno  (Foto: Aline Nascimento/G1)
Remildo Campos disse que queria chamar a atenção da mãe do aluno. Aluno foi chamado de 'mentiroso', 'mal-criado' e 'mal comportado' em prova.

Quase um mês após ter escrito mau-caráter e mentiroso na prova de um aluno de 11 anos, o professor de história Remildo Furtado Campos, de 52 anos, se posicionou sobre o caso e afirmou, na terça-feira (10), que não se arrepende do que escreveu. Campos disse que teve vários problemas com o aluno dentro de sala e o que escreveu na prova foi uma forma de chamar atenção da mãe do menino.
O caso ocorreu em dezembro do ano passado, quando o professor que dava aulas na Escola Áurea Pires Montes de Souza escreveu que o aluno era mal comportado, mal educado, mal criado, mau-caráter e mentiroso ao devolver a prova de história da criança. O homem escreveu ainda que a "única coisa aproveitável" do aluno era a inteligência e que esperava que ele a usasse para o bem. No dia 22, a direção da escola afirmou que o docente não retornaria à instituição.
Ao G1, a mãe da criança, Helen Vitória, de 32 anos, chamou o  professor de despreparado. Ela admitiu que conversou com o docente algumas vezes sobre o comportamento do garoto e chegou, inclusive, a orientar o filho. Ela acrescentou que o professor nunca falou que a criança falava palavrões em sala de aula.
Sempre vou na escola, independente de falar com ele ou outro professor. Ele é um pré-adolescente. Não posso soltar. Isso não foi uma forma de chamar minha atenção. Todos estão vendo que ele é uma pessoa despreparada. Falei com ele, orientei, pedi para parar. O que reclamou do meu filho foi que ele brincava dentro da sala de aula, copiava pela metade e não que ele era um mau-caráter", afirmou.
O professor afirma, entretanto, que conversou diversas vezes sobre o comportamento do menino dentro da sala de aula com mãe dele. Ele afirma que o aluno falava palavrões, fazia bagunça, criava apelidos para o professor, entre outras coisas. Apesar do comportamento, o professor conta que suportou diversas situações porque acreditava na mudança do aluno. 
"Foi uma forma de chamar atenção da própria mãe. Tinha escrito outras coisas no caderno dele e acredito que não entregou. Disse que não fazia as atividades, tinha um mau comportamento, colocava apelido em mim, falava palavrões, chutava as cadeiras. Queria o tempo todo sair da sala. Falei, inclusive, que era um dos piores alunos da sala", explicou Campos.
Professor escreveu que aluno era mau-caráter e mentiroso em prova  (Foto: Helen Vitória/Arquivo Pessoal)Professor escreveu que aluno era mau-caráter e mentiroso em prova (Foto: Helen Vitória/Arquivo Pessoal)
O professor contou ainda sobre outro episódio dentro da sala de aula. Ele diz que o aluno prometeu trazer uma faca de casa e esfaqueá-lo quando ele estivesse de costas. Campos disse que não relatou o fato para a mãe do menino e nem para a coordenação e levou a ameaça como uma brincadeira.
"Estava chateado e queria escrever aquilo. Não estou arrependido. Era o que estava sentindo. Pode ter sido pesado ter chamado de mau caráter, porque é um menino que está com o caráter sendo construído. Quero muito a felicidade dele. Quero que seja um homem, se forme, seja um cidadão capacitado e de bem", detalhou o docente.
Campos lembra que o aluno tentou conversar com ele após a prova, mas, por causa do mau comportamento do aluno, não deu ouvidos. O docente confessou ainda que passou mal em casa e teve uma crise de pressão. "Sinto que a credibilidade do professor não existe. A gente chega dentro da escola e vê o aluno nos agredir, ameaçar. Me sinto sozinho como professor, abandonado e sem direito", reclamou.
Suposto sumiço
O professor de história negou ainda que tenha sumido após repercussão do caso. Ele acrescentou que passou uns dias em casa por causa da crise de pressão e retornou à escola logo que foi solicitado. Remildo Campos revelou que a direção do colégio ficou chateada com o caso, mas acha que não será prejudicado na Secretaria de Educação.

"Não sei porque falaram que sumi. Não sumi. Voltei na escola quando foi marcado. Estive lá duas vezes e não tinha ninguém. Não sou bandido. A direção ficou muito chateada, preocupados com o nome da escola, a fama, mas assumo a responsabilidade porque fui eu que escrevi", pontuou.
Professor há quatro anos, Campos diz que não pretende voltar a lecionar na instituição. Confessou também que acredita que o caso não interfira na renovação do contrato dele com a Educação. Porém, já estuda outros mercados de trabalho. "Se a secretaria não quiser renovar meu contrato, sei viver de outra forma. Sempre fui trabalhador e muito honesto. Não tenho medo de ficar desempregado. Se não quiserem me contratar, paciência", finalizou.

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