Sentindo na pele: 7 cuidados sobre a guarda dos filhos

Enquanto não é regulamentada na Justiça, pai e mãe têm exatamente os mesmos direitos e obrigações. Antes de se separar, saiba como manter a guarda dos filhos

Como decidir com quem ficam as crianças?

A guarda dos filhos é um assunto que costuma gerar conflitos durante o processo de separação. Conversamos com as promotoras de Justiça Flávia Teixeira e Fabiana Sabaine*, e listamos sete dicas para você saber como agir ao pedir a guarda dos filhos.

1. Sempre oficialize a guarda no papel

Há muitos casos em que o casal se separa, mas não oficializa a guarda das crianças num documento. A escolha é perigosa: enquanto não é regulamentada na Justiça, pai e mãe têm exatamente os mesmos direitos e obrigações. Ou seja, nada impede o seu ex parceiro de viajar com os filhos pra longe sem a sua autorização, e se ele resolver levar as crianças para a casa dele e não devolver mais, você enfrentará uma burocracia das grandes para consegui-las de volta.

2. Prefira o caminho do acordo

Não abra mão da guarda e da pensão, mas tenha consciência de que o pai tem o direito de conviver com a criança em dias determinados, e o juiz dificilmente tirará isso dele. Nem deve tirar!

3. Cuidado com a guarda compartilhada!

O modelo de guarda compartilhada é muito bonito na teoria: a criança passa períodos iguais na casa de cada um dos pais, ninguém paga pensão pra ninguém, e ambos continuam tendo os mesmos direitos e deveres. Na prática, só funciona se houver muita sintonia, amizade e concordância entre as duas partes – o que nem sempre acontece, aí acaba dando briga.

4. Use e abuse dos advogados

O melhor jeito de construir acordos é com advogados, profissionais preparados para conversar e chegar a uma solução. Se você não tem condições de pagar um particular, procure a Defensoria Pública de sua cidade, que ajuíza essas causas gratuitamente. Se a sua cidade não tiver Defensoria, vá até o Fórum da sua região e peça a nomeação de um advogado particular pago com dinheiro público.

5. Não misture a pensão com o direito de fazer visitas

Muitas mulheres são processadas quando impedem a convivência do pai por atraso de pensão. Mas a pensão não é um pagamento pelas visitas! Se a criança não mora com o pai, ele deve pagar pensão. Se o pai não paga, ele tem direito de visita, mas pode ir preso pela ausência do pagamento.

6. Jamais descumpra o acordo de guarda

Isso pode dar um argumento para o seu ex pintá-la de vilã na frente do juiz. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para que a criança esteja com o pai nos dias determinados. Se estiver doente bem no dia de convivência, ela deve ir ao médico na companhia do pai.

7. Evite a alienação parental

O juiz só tira o direito de convivência do pai ou da mãe em casos extremos que envolvem maus-tratos, abuso sexual ou algum outro tipo de violência que coloque a criança em risco. Outras questões não são levadas em conta.

“A gente vai se separar”

Veja o que você e seu marido devem dizer aos filhos

· Tenham uma conversa objetiva, sincera e amorosa. O silêncio dos pais pode deixar a criança perdida, insegura e confusa. Ao falar, sejam carinhosos.

· Deixem claro que a separação é dos pais, e que a criança, além de não ter culpa de nada, não perderá o amor e o convívio deles.

· Nunca digam que vocês estão se separando porque o amor acabou. Digam que você se respeitam, mas já não desejam mais viver juntos.

· Não transmitam dores e mágoas na hora de falar. E jamais falem mal um do outro diante da criança!


*As Promotoras Flávia Teixeira e Fabiana Sabaine atuam em processos de família na comarca de Embu das Artes (SP)

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