Moro pede a Temer apoio à prisão após condenação em segunda instância

SÃO PAULO ­ Ao lado do presidente Michel Temer, o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava­Jato, cobrou na noite desta terça­feira empenho do Executivo para impedir a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) revisar o entendimento de que os condenados em segunda instância já podem ser presos antes de o processo tramitar nos tribunais superiores. Homenageado como personalidade do ano pela revista "IstoÉ", o magistrado ainda defendeu o fim do foro privilegiado e aproveitou a presença na cerimônia do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para pedir mais investimentos no fortalecimento da Polícia Federal. "Espero que não só nas próximas eleições, mas o atual governo federal, tomando a liberdade senhor presidente, incentive e utilize seu poder, respeitando evidentemente a independência do Supremo, para influenciá­lo de forma a não alterar esse precedente. O governo federal tem grande poder e grande influência e pode utilizar isso. Se houver mudança, será um grande retrocesso", disse Moro sobre a hipótese de a Corte rever o entendimento de que os condenados em segunda devem começar a cumprir a pena de prisão. Temer, que trocou um rápido cumprimento com Moro, também discursou no evento, mas não fez qualquer menção ao juiz em sua fala. Dedicou parte de seu breve discurso a defender a aprovação da reforma da Previdência e a homenagear o fundador da revista, Domingo Alzugaray, falecido este ano. Uma cena chamou atenção durante a cerimônia. Quando Moro foi chamado ao palco para discursar, todo o auditório se levantou em deferência ao magistrado, com exceção de Temer e dos ministros Moreira Franco (Secretaria­Geral da Presidência) e Meirelles e do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB­CE). Em outro momento, quando Moro cobrou empenho das autoridades para colocar fim ao foro privilegiado, Temer, Moreira Franco Eunício foram um dos poucos presentes ao evento a não aplaudir o juiz federal. Os três são alvos de investigação pela força­tarefa. Em seu discurso, Moro ressaltou ainda que o combate à corrupção não se resolva apenas com o trabalho da Justiça. Segundo ele, são necessárias reformas gerais e mudanças nas práticas administrativas. "Não há momento melhor, seja no presente momento, seja nas eleições vindouras, para que a sociedade discuta essas questões. São necessárias políticas públicas", afirmou o juiz, que ao defender o fim do foro privilegiado declarou que não se justificam os "privilégios concedidos às autoridades mais poderosas". A declaração foi motivo de aplausos da plateia e das personalidades que dividiam o palco com Moro. Temer, Moreira e Eunício, no entanto, apenas observaram.

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