Evento, factóide e desafio dão a medida exata de como será a campanha eleitoral deste ano no Maranhão

Flávio Dino é o centro das preocupações dos estrategistas do Grupo Sarney

A cena política do Maranhão foi marcada na última semana por três fatos que sugerem claramente como deverão ser os movimentos da corrida eleitoral de agora por diante. O primeiro foi um factóide primário e grosseiro gerado nas entranhas da Polícia Militar por meio do qual a Oposição acusou o governador Flávio Dino (PCdoB) de tentar controlar adversários por meio do “fichamento” de líderes no interior. O segundo foi a viagem do presidente da Câmara Federal e presidenciável Rodrigo Maia, ao Maranhão, durante a qual ele ratificou a participação do DEM na aliança liderada pelo governador, independente de qual venha a ser a posição do partido no plano nacional. E o terceiro foi o desafio feito pelo governador Flávio Dino à ex-governadora e virtual candidata do Grupo ao Governo, Roseana Sarney (MDB) para um debate franco e ao vivo na TV Mirante. Parecem situações distintas, mas, ao contrário do que indica a primeira vista, estão fortemente ligadas dentro de um contexto maior, que é a corrida ao Palácio dos Leões.

Provavelmente imaginado e concebido para ser uma bomba capaz de destruir parte expressiva de imagem correção administrativa e política do Governo e denunciá-lo como um ato da “tirania comunista” do PCdoB, o factóide que ganhou vida dentro da PM não resistiu 48 horas, e quando chegou ao “Fantástico”, da Rede Globo, foi mostrado como uma “coisa”, sem paternidade definida. O resultado prático da trama nada inteligente, além de um zumzum de difícil interpretação, foi que o oficial responsável pela sua elaboração e transmissão aos seus colegas do interior, foi afastado do cargo que ocupava e vai responder a inquérito administrativo cujo desfecho poderá ser a perda da patente, da farda e da aposentadoria. A lógica sugere que, tivesse sido fruto de uma ordem palaciana, o tenente-coronel Antonio Markus da Silva Lima, que o gverndor Flávio Dini diz não cinhecer, certamente não estaria agora caminhando para o banco dos réus. O fato é que, diante do bombardeio, o Governo reagiu rapidamente, denunciou a trama, de modo que a semana começou com o factóide morto e sepultado e um oficial da PM – e seus cúmplices, se houver algum – em apuros.

No campo político partidário, o grande fato da semana foi o desembarque do presidente da Câmara Federal e presidenciável Rodrigo Maia no Maranhão, para cumprir agenda em Santa Inês e em São Luís. Em Santa Inês, ele consolidou o novo comando do DEM no Maranhão, dando carta branca do presidente regional do partido, deputado federal Juscelino Filho, a quem deu carta branca para manter a agremiação na aliança que dá sustentação partidária à candidatura do governador Flávio Dino à reeleição. Em São Luís, Rodrigo Maia foi ao Palácio dos Leões, reuniu-se com o governador, a quem elogiou como líder político e como chefe de um Governo apontado como uma ilha de excelência em meio a um cenário de crise nacional. “Numa crise econômica que o Brasil vem vivendo desde 2015, ter um Estado com suas contas equilibradas, pagando seus servidores e continuando investindo é uma demonstração de muita competência. Isso é uma grande demonstração de competência e de capacidade administrativa do governador Flávio Dino”, declarou Rodrigo Maia.

Finalmente, o momento político mais simbólico ocorrido em meio a tiroteios verbais causados pela tal circular da PM e gestos de grandeza como o do presidente Rodrigo Maia: o desafio feito pelo governador Flávio Dino à ex-governadora Roseana Sarney para um debate direto e franco, ao vivo, transmitido pela TV Mirante. Um evento dessa natureza seria de extrema importância para uma se ter a real dimensão da corrida sucessória em curso no Maranhão. Flávio Dino teria a oportunidade de mostrar o real alcance da sua visão como político e gestor, enquanto Roseana Sarney teria a chance de mostrar o seu tamanho político e a verdadeira estatura da gestora que administrou o Maranhão por quase 14 anos. Seria uma espécie de tira-teima definitivo.

Os três eventos ilustram bem a realidade política do Maranhão neste momento e sinalizam com alguma clareza o que vem por aí.


PONTO & CONTRAPONTO

Lobão reafirma candidatura à reeleição e garante que Roseana será candidata ao GovernoEdison 

Em Brasília, de onde acompanha todos os movimentos do cenário político do Maranhão, o senador Edison Lobão elimina todas as dúvidas em relação à sua candidatura. A saúde, segundo afirma, “esta em dia”, e “ficará cem por cento quando resolver esse problema no fêmur, que já está quase resolvido”. Ainda se movimentando sobre uma cadeira de roídas – “Mais por precaução”, diz – senador reafirma com todas as letras: “Sou candidato à reeleição”. E justifica a declaração enfática dizendo ter informações segundo as quais sua posição nas pesquisas feitas para medir as preferências do eleitorado “é a melhor possível”, confirmando que terá o atual suplente Lobão Filho (MDB) como candidato à reeleição. O senador Edison Lobão também não tem qualquer dúvida quanto à candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) ao Palácio dos Leões: “Roseana é candidata e está muito bem”.



Pedido de intervenção: uma artimanha que gera notícia, mas sem qualquer futuroOs deputados Eduardo Braide, Max Barros, Alexandre Almeida, Graça Paz e Wellington do Curso protocolam pedido de intervenção no estado durante eleções

A guerra política costuma gerar algumas posições distorcidas. No caso do confronto aberto em curso no Maranhão, travado entre o governador Flávio Dino e a cúpula do Grupo Sarney, a iniciativa mais curiosa é pedido de intervenção federal no Maranhão durante o processo eleitoral, formalizado por um grupo de deputados tendo à frente o deputado Eduardo Braide (PMN) – que estuda a conveniência política de ser candidato a governador. Não se discute que o Grupo Sarney tem o direito de imaginar uma bucha dessa natureza e dispará-la para ver se cola. Não deveria fazê-lo, mas faz parte do jogo, que comporta estratégias, estratagemas e até artimanhas. O pedido de intervenção tem todas as características de uma artimanha, daquelas bem urdidas, para criar um clima de instabilidade e insegurança políticas que simplesmente não existe no Maranhão há muito tempo. É de direito formular o pedido, anuncia-lo como uma bomba e ser fotografado no guichê da Justiça Eleitoral protocolando o documento. E o seu desfecho é tão previsível, que na próxima semana ninguém tocará mais no assunto. Se acontecer diferente, o Maranhão estará no centro de uma polêmica nacional.

Brasília, 24 de Abril de 2018. Fonte:http://reportertempo.com.br

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