Assassino confesso dá detalhes de como matou a tia avó de 106 anos, em Feira Nova/MA

Depois de mais de dez horas de interrogatório, Alypio Noleto da Silva, de 24 anos, confessou com detalhes a autoria do latrocínio contra sua tia avó Antônia Conceição da Silva, de 106 anos de idade, em Feira Nova do Maranhão.

Em entrevista exclusiva ao Diário Sul Maranhense, o delegado regional de Balsas, que preside o inquérito policial que investiga o caso, Dr. Fagno Vieira contou detalhes da oitiva que resultou na confissão.

Início da investigação

“No sábado (17), o delegado de plantão Dr. Elmerich Bulhões fez os levantamentos preliminares e ouviu algumas pessoas. A partir daí, assumi as investigações. Viajei até Feira Nova com uma equipe da Polícia Civil para investigar os fatos. Inicialmente, trabalhamos o nome de 4 suspeitos como possíveis autores do crime que foram ouvidos. Também ouvimos pessoas que estavam na festa e parentes e buscamos imagens em câmeras de segurança, mas sem sucesso”, disse o delegado.

Reforço de peritos de Imperatriz

“Segunda-feira (20), recebemos peritos da cidade de Imperatriz em Feira Nova. Lá, observamos rastros de calçado semelhantes ao sapato utilizado pelo suspeito Alypio. A PM já havia apreendido as roupas dele, como também apanhamos os calçados e roupas dos outros três suspeitos. Encontramos também uma faca de serra com a lâmina quebrada que imaginamos ter sido usada no crime. Durante as oitivas, percebemos que as versões apresentadas eram inconsistentes, bem mentirosas, por isso fomos atrás de confirmar o que cada um dos suspeitos havia falado; a versão do Alypio era aquela que apresentava mais contradições”.

Pedido de prisão temporária

“Durante as duas oitivas de Alypio em Feira Nova, houve um momento que, por pouco, ele não confessou a autoria do crime e ali percebemos que se o tirássemos do convívio da comunidade, teríamos mais chances de que ele admitisse. Representamos junto ao Fórum de Riachão, pedindo a prisão temporária. Foi de extrema importância a celeridade com o que o nosso pedido foi apreciado e recebemos o mandato de prisão. Na quinta-feira (22), fomos a Feira Nova para prendê-lo e tivemos a informação de que ele teria viajado para Araguaína (TO). Chegamos a temer que fosse uma fuga, mas nos comunicaram que ele retornaria”.

Prisão do autor confesso do crime

“Montamos campanha para esperar o retorno da van e a abordamos no povoado Alto Bonito e lá estava o Alypio. Foi dada voz de prisão e ele foi conduzido a 11ª Delegacia Regional de Policia Civil. Iniciamos um interrogatório, que entrou pela madrugada. Ele negou várias vezes a autoria do crime, mas, em dados momentos, passou a dizer que não lembrava de ter matado a vítima, sem, contudo, descartar a possibilidade”.

Confissão e detalhes do latrocínio

“Na manhã deste sábado, retomamos o interrogatório e os investigadores Jesus e Ronildo foram muito hábeis, de modo que obtiveram a confissão dele, inclusive dos detalhes do crime. Contou que estava em uma festa e já havia bebido bastante e, em um determinado momento, resolveu ir até a casa da vítima; disse que não lembrava qual era a intenção, mas que provavelmente seria para pegar algum dinheiro e continuar bebendo. Ele chegou à casa, saltou o muro e entrou pelo telhado. Quando estava dentro do imóvel, a vítima acordou e foi em direção a ele, o chamando pelo nome. Nessa hora, ficou nervoso e a empurrou fortemente, de maneira que ela bateu a cabeça na quina de um portal e caiu batendo o rosto no piso de concreto causando ferimentos. Então, ele pegou uma faca de serra e deu um golpe no ouvido e parte do crânio, de modo que a faca quebrou, deixando a vítima imóvel, como se estivesse morta. Ele pulou o muro de volta e, não estando com sangue na roupa, retornou para a festa. Depois que foi espalhada a notícia da morte da vítima, ele ainda foi à casa observar e disse que só no domingo pela manhã é que a ficha foi caindo. Afirmou que não teve coragem de contar aos pais, e nem no primeiro depoimento feito à polícia. Portanto, resolveu confessar, acreditando que seria a melhor saída, pois temia a fúria da população que poderia linchá-lo”, detalhou Dr. Fagno. 

Destaques e contribuições na solução do caso

“Gostaria de frisar o apoio e a contribuição fundamental do sargento Jesus, comandante do Destacamento da Polícia Militar em Feira Nova, que, junto com a guarnição, realizando diligências, cumpriu intimações e nos deu todo o suporte necessário. Parabenizo a equipe de investigadores que trabalhou pelas madrugadas, se envolveu emocionalmente com o caso que, para nós, era uma questão de honra dá uma resposta a população. Por coincidência, na sexta-feira em que a cidade estava parada em protesto, nós estávamos prendendo o autor do crime, dando uma reposta rápida, segura, robusta, tirando um criminoso de circulação, o colocando na cadeia, para que a população de Feira Nova possa viver com mais segurança”.

Conclusão do inquérito

“Com este depoimento concluímos que a autoria do crime está solucionada, mas ainda resta algumas declarações que serão tomadas, bem como perícias e laudos que estamos aguardando. Também vamos fazer a simulação do crime. Temos o prazo de 30 dias para concluir o inquérito policial e levá-lo a justiça para que ele pague pelo crime que cometeu”, encerrou o delegado Dr. Fagno Vieira.






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