Mortes com uso de armas de fogo no Maranhão aumentaram 239% após desarmamento, diz Ipea

AQUILES EMIR

Ao assinar, nesta terça-feira (15), o decreto que flexibiliza as vendas de armas de fogo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que “por muito tempo, coube ao Estado determinar quem tinha ou não direito de defender a si mesmo, à sua família e à sua propriedade. Hoje, respeitando a vontade popular manifestada no referendo de 2005, devolvemos aos cidadãos brasileiros a liberdade de decidir”.

Considerada uma de principais promessas de campanha do presidente em 2018, a venda de armas com menos burocracia mereceu críticas de vários segmentos, principalmente de políticos mais identificados com a esquerda. No Maranhão, em sua página no Facebook, o governador Flávio Dino (PCdoB) chamou o ato presidencial de “decreto faroeste”, prevendo uma escalada da violência a partir de sua entrada em vigor.

A verdade, no entanto, é que desde a campanha de desarmamento da população, em 2006, as mortes por armas de fogo, ao contrário de diminuírem, como se acreditava à época, aumentou assustadoramente. No Maranhão, o crescimento foi de 239%. De acordo com números do Atlas da Violência 2018, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), no ano seguinte ao plebiscito de 2005 em que a maioria da população se manifestou contra o desarmamento, mas sua vontade foi contrariada, foram registradas no Maranhão 479 mortes com arma de fogo e em 2016 elas somaram 1.625.Armas de fogo sendo destruídas após a campanha do desarmamento

Em alguns estados, como Espírito Santo e São Paulo, houve diminuição, porém na grande maioria, as ocorrências aumentaram consideravelmente. Por esta evolução, a Campanha do Desarmamento é apontada, por apoiadores ao porte de arma, como ineficaz pois desarma os cidadãos mas não consegue desarmar os criminosos. Denúncias apuradas revelam que, em algumas ocasiões, armas entregues nas campanhas de desarmamento, que deveriam ser destruídas, foram desviadas indo parar em mãos criminosas.




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