Aquiles Priester um dos maiores bateristas do Brasil manda recado a Willian Amorim em Zé Doca




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Willian amorim e seu filho
Se você é fã de rock´n roll com certeza já ouviu falar de Aquiles Priester. Conhecido como “o polvo”, o baterista é considerado o melhor do Brasil e um dos melhores do mundo no comando do instrumento. Sua trajetória na música teve um início conturbado, em que ele optou por trabalhar em uma empresa, fez a diferença, foi reconhecido, mas acabou saindo para seguir o sonho na carreira musical. O passo arriscado deu certo e hoje ele é reconhecido pelo que faz. Mas não para por aí: além dos shows com as bandas Noturnall, Hangar, Tony MacAlpine e About2Crash, Aquiles lança livros, CD´s, DVD´s institucionais, dá workshops e master classes. Acompanhe nossa entrevista exclusiva com Aquiles Priester e conheça um pouco mais sobre sua história:

Como e quando iniciou sua carreira na música?
Em 1985, durante a realização do primeiro Rock in Rio. Por isso em 2015 foi tão importante para mim tocar na edição de 30 anos do festival. Realizei meu grande sonho em dose dupla, pois toquei com o Noturnall e com o About2 Crash.

Em certo momento você resolveu trabalhar em uma empresa, como tomou esta decisão?
Foi em 1995, depois de ter me dedicado ao estudo da música e da bateria. Estudei bateria por dois anos com o grande Kiko Freitas e quando sai com fome de trabalho, não existia mercado. Estava com 24 anos e não tinha condições de pagar nem minha passagem de ônibus, percebi que o caminho não era aquele. Entrei na Dana Corporation em outubro de 1995, em um cargo administrativo básico e coloquei na minha cabeça que queria crescer e prosperar.
Em 2000 fui transferido para a sede de São Paulo e assumi a posição de supervisor de marketing da região sul. Só depois disso que tive a chance de fazer o teste no Angra em 2001. Eu já tinha começado a tocar heavy metal com a banda Hangar em 1997.

Você obteve grande destaque nesta empresa. Como isso aconteceu?
Meu cargo era voltado para a motivação dos funcionários da fábrica e pesquisando os arquivos da empresa, vi que nos anos 80 eles tinham realizado um evento chamado o “Dia da Ideia”, que consistia em os funcionários darem ideias para melhorar a produtividade do seu setor. Aproveitei e dei um “up grade” na ideia deixando à disposição dos funcionários três soldadores para ajudar na realização das ideias. A mudança principal era que os funcionários deveriam implementar as suas próprias ideias em 45 minutos e colocar um formulário dentro de uma caixa de ideias e concorrer à prêmios que geralmente eram utensílios do lar. Era uma forma de fazer a família ver que a empresa valorizava o trabalho do pai de família e que quanto mais ele participasse, mas ela seria beneficiada. Foi um sucesso e nossa divisão passou a ser “benchmarking” para todas as outras divisões e comecei a viajar para todas as unidades para implementar o programa. Cresci de forma descomunal na empresa.
Aquiles largou o emprego para se dedicar à música. (Renan Facciolo)

Como tomou a decisão de sair deste emprego estável para uma banda de rock?
A decisão nunca foi real. Só pensei que, como sempre persegui esse sonho desde os 16 anos, talvez fosse minha última cartada. Quem tem um sonho não fica à deriva e foi pensando nisso que aceitei entrar no Angra após minha audição com eles, em 2001. De lá para cá, fui eleito por 15 anos o melhor baterista de heavy metal do Brasil e o sonho continua me impulsionando. Todos os dias é algo novo, uma ideia nova que me leva a diante.



Você foi dispensado de uma banda por não ter muita experiência com o pedal duplo, do qual hoje é referência. Essa crítica te motivou a buscar a excelência?
Eu conto essa história em minha biografia oficial Aquiles Polvo Priester. Eu estava começando a tocar com pedal duplo e acho que o pessoal da banda não teve paciência para esperar eu me aprofundar nos estudos. Nunca fiz as coisas por causa de situações ou por causa de outras pessoas. Tudo que faço é para mim, eu preciso acreditar no que estou fazendo e preciso estar feliz com o resultado. Com essas duas combinações, não tem como dar errado, pois você sempre estará motivado.



Você trabalhou na área de marketing de uma multinacional, o quanto isso influenciou na administração da sua carreira como músico?
Isso me deu uma base sólida de como eu deveria criar uma marca, procurar saber quem é o público alvo e principalmente saber como atingir esse público de forma consistente. No início de carreira, todos caímos no erro de achar que não podemos nos ver como um produto, mas o fato real é que se o CD de sua banda tem um código de barras, você já é um produto…

Você também ministra aulas, workshops e até lançou um livro sobre técnicas para se tocar bateria. Em um mundo tão competitivo, por que você opta por compartilhar o conhecimento?
Tenho três DVD´s lançados e quatro livros editados. Já gravei mais de 35 CD´s-DVD´s de bandas. Meu DVD Aquiles Priester’s Top 100 DrumFills, foi eleito para revista ModernDrummer americana, o melhor DVD instrucional de 2014. Esse é um prêmio inédito para a música brasileira. Tenho muito orgulho disso. Além de eu ser um músico que toca com bandas, também tenho o meu lado de educador com minhas aulas, workshops e master classes. Se você opta por seguir por esse caminho, precisa ter seu próprio material didático. Eu não me importo em compartilhar, pois isso faz parte das nossas vidas. Quando você compartilha, acaba recebendo de outra forma. Todo o meu material didático é muito focado em coisas que eu estudei e aperfeiçoei para o meu estilo de tocar. Ou seja, de uma forma ou de outra, mesmo sendo outra pessoa tocando, a escola Aquiles Priester vai aparecer. Mas isso não é o principal motivo para mim, eu fico muito feliz quando uma pessoa vem até mim e me diz que o meu material didático o ajudou no seu desenvolvimento. É uma sensação de dever cumprido.

Aquiles Priester dá master classes e workshops para compartilhar conhecimento. (Renan Facciolo)

Quais foram os principais obstáculos em seu caminho? Como fez para contorná-los?
Acho que o principal obstáculo foi conseguir construir uma carreira internacional sólida, que me proporcionasse excursionar com artistas e bandas internacionais e também participar dos maiores festivais de bateria do mundo. Isso para um artista local, que mora muito longe da Europa, Ásia e Estados Unidos, é um grande feito, principalmente se estiver morando no Brasil. Também preciso citar os lançamentos dos meus DVDs e livros mundialmente por uma empresa norte-americana com mais de trinta anos de tradição em lançamentos no mercado mundial chamada Mel Bay. A melhor forma de conseguir esse tipo de contrato é quando o padrão de qualidade dos seus produtos é alto e a empresa acredita que pode fazer bons negócios com a sua imagem e seus produtos.

Acredita que a música pode ser um caminho para empreender?
Com certeza, mas o grande segredo é não ficar esperando as coisas acontecerem. Não dá para ficar esperando as oportunidades aparecerem e reclamando que o mercado de entretenimento está caindo. É muito importante estar atento a todas as possibilidades de novos negócios.

Você tem algum conselho para quem está começando, seja na música ou em uma empresa?
Acredite que você pode fazer a diferença. Trabalhe muito duro e aproveite para enxergar as oportunidades onde a maioria só enxerga as dificuldades e os problemas. Bom humor é fundamental para viver a vida de forma diferente..

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