A 10 anos Bom Jardim perdia Dr. Varão, ‘O médico querido por toda família bonjardinense’

10 anos sem Dr. Varão
Faz exatamente 10 anos que Bom Jardim perdia de forma tão trágica uma das pessoas mais queridas deste município, O médico Antônio Lopes Varão, conhecido também como Dr. Varão, foi assassinado quando fazia o que mais gostava, ajudar o próximo, um crime tão covarde e de forma tão brutal que até hoje causa revolta e tristeza na sociedade bonjardinense.

O CRIME

Era 11 de dezembro de 2010, às 2 horas da manhã, quando dois homens deram entrada no Hospital Municipal de Bom Jardim se passando por pacientes. Ao serem atendidos pelo médico, os homens dispararam dois tiros contra a vítima, que morreu ainda no local, um crime que foi desvendado logo, pois os assassinos que fugiam em um fiesta branco, capotaram em uma curva, próximo a Vitoria do Mearim, um deles morreu, outro foi hospitalizado e dois conseguiram fugir. Anos depois a policia desvendou totalmente o caso, quando policiais da Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), com apoio da Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI) conseguiram prender, em São Luís, Raedson Teixeira da Silva, que apontou Salete Varão como autora intelectual do homicídio. A polícia o capturou quando ele tentava fugir para o Mato Grosso do Sul, ambos foram julgados e condenados, onde cumprem pena em regime fechado.

LEMBRANÇAS DO DIA

Lembro bem o dia do trágico acontecimento, era dia 11/12/2010, eu estava com amigos em uma festa, lembro bem, no clube da Concita, ali na Vila Pedrosa, quando alguém chegou contando o que tinha acontecido, no começo ninguém acreditou, na época não existia aplicativos como os whatsapp e o facebook, apenas mensagens de texto. Mesmo assim eu e amigos nos deslocamos até ao hospital na madrugada daquele dia 11 para verificar se era verdade, ao chegar, não acreditamos no que nossos olhos viam, parecia filme de terror ou algo parecido, lembro que não tivemos coragem de entrar no Hospital, sentamos no banquinho da Praça do Hospital, alguns choravam, outros se lamentavam.O Hospital Municipal era sua casa.

Ao amanhecer do dia, a cidade colapsava e chorava a morte de seu filho querido, o corpo já tinha sido levado para São Luís onde passaria pela autopsia no IML, no momento o desencontro de informações era gritante, a busca de respostas maior ainda, quando chegou as primeiras informações, o quebra cabeça na mente da população já se montava, parecia que naquele momento todo cidadão era um agente da policia, talvez a maioria dos bonjardinense só pelas pistas já imaginava o que tinha acontecido.


Um dos momentos que ficará marcado, sem duvidas, foi o cortejo que vinha da cidade de Igarapé do Meio, onde o corpo fez uma primeira parada, o médico também atuava e serviu por muitos anos a população daquela cidade que queria se despedir do saudoso médico, ao retornar para Bom Jardim, quando o corpo chegou na placa de entrada da cidade, o som da sirene da viatura da Policia Militar ecoava pelas ruas do município, rompendo um silêncio desolador, sem duvidas um dos dias mais triste que o povo bonjardinense já presenciou.

O LEGADO

Podemos dizer que Dr. Varão direta ou indiretamente influenciou alguns jovens bonjardinenses a se tornarem médicos, até então era raro um médico filho de Bom Jardim, após esse episodio, vários jovens buscaram o mesmo sonho, inclusive dentro da própria família Varão, quem sabem algum destes possam assumir o seu mesmo legado?

MINHA LEMBRANÇA PESSOAL

Tive o prazer de conhecer bem de perto o saudoso Dr. Varão, não só como médico, mas como pessoa, fui amigo de infância de seu filho mais jovem, tive a oportunidade de conhecer e conviver um pouquinho com outros filhos, como a Angélica e o Aciole, o qual pessoalmente carrego um grande sentimento de respeito e que se tornaram grandes profissionais e humanos de grande coração. Levo comigo as lembranças das vezes que brincávamos no pátio de sua residência na minha infância e adolescência, onde ele chegava e dava conselhos, ou quando simplesmente ele estacionava seu carro no fundo da garagem para não atrapalhar nossa brincadeira. Quantas vezes presenciei ele atender dezenas de pessoas na sala de sua casa mesmo após acabar de chegar do Hospital? Quantas vezes eu vi ele parar seu carro no meio da rua e atender alguém que pedia uma consulta? Os mais idosos sempre diziam, o remédio que ele receitar é certo, pode tomar! Será quantas vidas perdemos com a perca do nosso medico? Como reparar tamanho prejuízo? É uma pergunta que não tem como saber, e os bonjardinenses que ficaram órfãos, dez anos depois ainda procuram um novo “pai”, um novo “Médico da família” para quem sabe preencher o vazio que Dr. Varão deixou na vida das pessoas dessa cidade.

Artigo escrito por Rafael Gonçalves – Jornalista, Registro 0001448/MA

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