Federações podem alterar cenário de candidaturas a governos em 2022

Até o momento, há ao menos 62 pré-candidatos definidos ou em análise para Executivos estaduais

Faltando menos de oito meses para as eleições de 2022, partidos — de pequenos a grandes — seguem com incerteza sobre os nomes que concorrerão ao cargo de governador em estados. Até o momento, há ao menos 62 pré-candidaturas definidas ou em análise, segundo levantamento do SBT News. Número muito inferior aos 202 nomes que disputaram vaga de governador no pleito de 2018. E, neste ano, um novo fator pode prolongar a indefinição envolvendo as candidaturas: as federações partidárias.

Na última 4ª feira (9.fev), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a validade da lei que criou a federação partidária e estendeu o prazo para o registro delas até 31 de maio de 2022. Nesse modelo de aliança política, os partidos atuam como um só bloco na disputa eleitoral e também no Congresso. As federações devem durar no mínimo quatro anos, quando criadas, e têm as mesmas obrigações dos partidos. Atualmente, o PT, que possui seis políticos indicados como pré-candidatos a governador, tem o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad sendo visto internamente como pré-candidato natural ao Executivo paulista e estava negociando apoiar candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio, conversa para formar federação com PSB, PV e PCdoB. O primeiro, entretanto, tem Márcio França como pré-candidato ao Executivo de São Paulo.

O Psol, por sua vez, cujo único pré-candidato a governador anunciado é o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos — em São Paulo –, dialoga com a Rede Sustentabilidade, pelo qual o senador Randolfe Rodrigues deverá disputar vaga de governador no Amapá, e o ex-deputado federal Audifax Barcelos, no Espírito Santo. Já o PSDB (com cinco pré-candidatos a governador) conversa com o MDB (quatro) e o Cidadania (três). Esse último fala também com o Podemos (cinco) e o PDT (com quatro e inclinado a apoiar ACM Neto, do União Brasil, na Bahia). Há ainda negociação para formação de federação entre o União Brasil (12 pré-candidatos, sem contar Onyx Lorezoni, que deve sair do partido e ir para o PL) e o MDB.

Tendo em vista que PT, PDT, Podemos, PSDB, MDB e Cidadania possuem presidenciáveis, a escolha dos políticos por eles para concorrerem aos Executivos estaduais ganha um peso maior, por significar palanque ao que pretende ocupar o Palácio do Planalto. A decisão sobre fazer a aliança ou não também ganha, pois pode levar a cancelamento de pré-candidatura à Presidência, se os dois partidos em negociação têm uma cada. Porém, no caso do Podemos, há ainda a possibilidade de perda do pré-candidato ao Planalto com ou sem federação, visto que o ex-juiz Sergio Moro é cotado pelo União Brasil como uma candidatura própria sua ao Governo Federal – o que atrapalharia planos do presidente Jair Bolsonaro (PL) para apoio político do União.

Segundo a doutora em ciência política e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Maria Braga, as federações “são importantes porque a gente está sem as coligações proporcionais, então elas substituem um pouco ou tentam substituir esse mecanismo e favorecer os partidos que têm maiores dificuldades de atingir a cláusula de desempenho, que nesse ano já vai ser de 2%”. Por outro lado, explica, a dificuldade de formá-las “é muito grande, porque você tem uma variação de jogos entre as nossas elites estaduais, que fica difícil de chegar a um consenso”. “Tem as dificuldades internas da própria federação, porque afinal de contas você precisa criar um estatuto, que tem que ter um programa, esse programa tem que conversar entre as legendas. Tem a questão mesmo de quais os critérios para distribuir poder dentro das federações, porque elas vão funcionar como um partido durante quatro anos, que envolve duas eleições, esta e a de 2024, a municipal. Então isso tudo cria essa complexidade de chegar à execução da federação”, completa.

Ainda de acordo com a professora, a expectativa maior é de que as siglas façam essas alianças e reduzam o número de partidos e candidaturas, e os parlamentares, ao aprovarem o mecanismo de federação, se preocuparam mais em criar um substituto para as coligações do que nos “efeitos colaterais” da novidade. Dessa forma, para concretizarem a união, em suas palavras, “nossas elites vão ter que realmente ter muito jogo de cintura, para não perder espaço no momento em que o sistema partidário brasileiro está passando por grandes desafios, inclusive para continuidade de muito desses partidos”.

A cientista política Mayra Goulart, por sua vez, diz que ainda é cedo para apontar a interferência das federações em nomes de governos estaduais, pelo fato de os núcleos dos partidos terem autonomia para tal definição. Mas considera a possibilidade de adiamento do fechamento das chapas pelo processo, assim como pelas mudanças provocadas no cenário político por Bolsonaro. “Um cenário de indefinição generalizada porque o bolsonarismo ameaça todo sistema partidário do chamado presidencialismo de coalizão. Ele é o primeiro governo desde a nova República que rejeita esse tipo de apoio, o que implica apoios partidários”, explica.

A interferência de Bolsonaro, segundo Goulart, se dá por causa da prioridade de relações com nomes específicos, em vez de siglas. “O bolsonarismo prezou por articulação com lideranças. Evangélicas, do Centrão, lideranças que não falam em nome necessariamente dos seus partidos, e, com isso, ele desagregou um pouco o sistema partidário. Esses partidos se fragmentaram entre alas bolsonaristas e não bolsonaristas”, declara a cientista política, que atua como professora nas universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Tentativas de reeleições

Em paralelo às indefinições de nomes, 16 dos atuais governadores em primeiro mandato já optaram por tentar a reeleição no próximo pleito. Com exceção dos oito nomes que não podem se reeleger — por já terem atingido o limite de dois mandatos consecutivos, segundo regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — e outros dois que deixaram de lado a intenção em reassumir o cargo: o governador paulista, João Doria (PSDB), que lançou pré-candidatura à Presidência, e o correligionário Eduardo Leite, que segue trajetória política indefinida em 2022, mas disse que não tentará ficar outros quatro anos frente ao governo do Rio Grande do Sul.

Tentam reeleição:

Amazonas: Wilson Lima (PSC)
Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB)
Goiás: Ronaldo Caiado (DEM)
Mato Grosso: Mauro Mendes (DEM)
Minas Gerais: Romeu Zema (Novo)
Pará: Helder Barbalho (MDB)
Paraíba: João Azevêdo (Cidadania)
Paraná: Ratinho Júnior (PSD)
Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL)
Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra (PT)
Rondônia: Coronel Marcos Rocha (PSL)
Roraima: Antonio Denarium (PP)
Santa Catarina: Carlos Moisés (sem partido)
Sergipe: Belivaldo Chagas (PSD)
Tocantins: Wanderlei Barbosa (sem partido)

Fonte: sbtnews.com.br

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