“Eu e minha família estamos sendo atacados por fazer o certo”, diz Lítia Cavalcanti sobre caso de ferry no MA


“O José Humberto é sim perigoso, se não fosse seria autorizado desde o dia que chegou. Essa que é a grande verdade”, desabafou a promotora de justiça Lítia Cavalcanti, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (13). A titular da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, afirmou que está sendo ameaçada por conta da investigação do serviço de ferry boat no Maranhão. A promotora disse que este é um caso grave e que deve ser investigado pela Polícia Federal.

“Eu e minha família estamos sendo atacados por fazer o certo. Esse é um problema muito maior, muito mais grave, algo imenso que deve ser investigado pela Polícia Federal”, disparou a promotora.

Ela informou também que tudo isso está sendo gestado na praça Pedro II, onde se encontram o Palácio dos Leões e o Tribunal de Justiça do Maranhão.

“A gente sabe exatamente de onde está vindo. Eu tenho informações muito fortes de tudo que tá acontecendo e meu nível de decepção é absurdo e eu sei que essa entrevista vai ter consequência pra mim, minha vida tá um inferno”, desabafou a promotora, que disse que virá consequências maiores no caso.

Lítia Cavalcanti fez um breve resumo da situação do serviço de ferry boat no Maranhão, que acompanha desde 2011. Ela afirmou que dentre várias conversas com o Governo do Estado, existiram diversos pedidos de licitação para o transporte, já que é a maneira lícita que a lei existe para a prestação do serviço.

Dentre as informações, a promotora disse que tem recebido ameaças e ligações de toda ordem na tentativa de fazê-la parar com as investigações.

“Eu vim aqui pra mostrar que eu não tenho nada a esconder, como muitos tem. E eu sei muita coisa. Que país é esse que um promotor de justiça não pode fazer suas funções porque é coibido, agredido, ameaçado o tempo inteiro?”, disse.

Lítia Cavalcanti informou que existe uma organização criminosa, que quer desviar o foco de algo muito mais sério. Ela disse que chegou a receber servidores do estado solicitado um termo de ajuste de conduta no valor de R$39 milhões, antes que a licitação do ferry fosse feita, pois precisariam deste valor para resgatar uma empresa.

Outra denúncia da promotora, foi sobre uma empresa que possui balsas em Minas Gerais, que deu entrada em uma documentação junto com o lançamento do edital divulgado pela Agência de Mobilidade Urbana (MOB). A empresa seria contratada, mesmo o órgão tendo dois contratos vigentes.

Sobre a situação do José Humberto, Lítia Cavalcanti informou que até então não sabia que a embarcação era perigosa, mas sim, irregular. Disse ainda, que os laudos provam que a embarcação não consegue funcionar em agosto.

“Ele não roda em agosto, não aguenta um Boqueirão, não aguenta um vento, é uma embarcação pra água fluvial. Tenho vídeo dele sendo soldado, na inspeção deu que ele não navega em agosto, não tinha condição de levar passageiros. Tem um relatório que mostra que o ferry Araioses, que tem 1500 lugares, teve o motor batido e pegou fogo com as pessoas dentro, ele ia explodir com a população dentro, eu tenho vídeos”, desabafou a promotora.

Lítia Cavalcanti disse que se trata de um esquema com muita gente envolvida. “Não é o ferry, não é o José Humberto. Não é sobre ferry, nem sobre população.

Alteraram até a milha náutica para não ser investigado pelo governo federal”, informou a promotora.

A promotora disse ainda que o que ela e os demais promotores de justiça da baixada maranhense queriam, era preservar a população.

“O que recebemos foi algo sem precedentes. Por que deixaram a população ficar sem ferry? Por que deixaram chegar a esse ponto de deteriorização? Porque fizeram um intervenção numa empresa privada? O resultado disso é o isolamento da baixada”.

Sobre uma reunião seguida de nova vistoria agendada pela Capitania dos Portos, mesmo depois de recomendação do Ministério Público Federal e de decisão judicial impedindo que o José Humberto opere, a promotora disse que não irá mais compactuar com nada relativo a postura da Marinha de ir de encontro aos laudos e decisões já existentes acerca da embarcação.

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