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19 janeiro 2026

Primo revela como se perdeu de crianças desaparecidas em Bacabal

Relato aponta que crianças ficaram juntas por ao menos duas noites antes da separação. Buscas chegam ao 16º dia nesta segunda-feira (19/1)

O menino Anderson Kauan, de 8 anos, relatou à Polícia Civil do Maranhão (PCMA) como ele e os primos, Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, se perderam na mata e como ocorreu a separação do trio, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA).

As crianças estão desaparecidas desde o dia 4 de janeiro. Três dias depois, Anderson foi encontrado andando sozinho na mata. A operação de buscas pelos garotos que seguem desaparecidos chegou ao 16º dia nesta segunda-feira (19/1).

De acordo com Anderson, ele e os primos se perderam após saírem em busca de um pé de maracujá. As crianças chegaram a ser advertidas por um tio, que os mandou voltar para casa. Apesar disso, as crianças fugiram e entraram na mata por uma rota alternativa, de mata mais fechada.

Como os primos se separaram

O delegado Ederson Martins, responsável pelo caso, afirmou que a estimativa é de que as crianças tenham permanecido juntas por pelo menos duas noites.

Ágatha Isabelly, Allan Michael e Anderson Kauan se abrigaram em um local conhecido pelos moradores da região como “casa caída”, uma cabana abandonada no meio da mata.

Anderson relatou aos policiais que havia uma cadeira e colchão velhos na cabana, e que os três usaram o local como refúgio durante o período em que estiveram juntos. Em razão do estado avançado de deterioração da estrutura, eles também chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore.

No terceiro dia de desaparecimento, no entanto, Anderson teria decidido seguir sozinho pela mata. Segundo o depoimento, os dois mais novos estavam cansados e queriam parar de caminhar.

“[Ele] queria achar a saída. Estava perdido”, explicou o delegado. Esse foi o momento em que os três se separaram.

Anderson foi encontrado por um carroceiro em um matagal no dia 7 de janeiro, a cerca de 4 quilômetros do local onde desapareceu, sem roupas e com sinais de fraqueza. O menino chegou a afirmar que os dois primos estavam “mais à frente”, mas o local onde as crianças estariam não foi identificado pelas autoridades.

Até o momento, a polícia não conseguiu estimar por quanto tempo Anderson caminhou pela mata antes de ser encontrado.

Martins detalhou ainda que Anderson apresenta momentos de “apagão de memória” e não consegue descrever toda a situação. “Há partes em que ele não consegue situar onde estava no meio da mata e também não consegue repassar com precisão o lapso temporal”, afirmou.

Buscas entram na 3ª semana

As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael entram na terceira semana sem qualquer informação sobre o paradeiro das crianças. O caso chega, nesta segunda-feira (19/1), ao 16º dia sem novas pistas.

Dados do governo do Maranhão indicam que mais de 500 pessoas participam da operação, que reúne forças federais, estaduais, apoio interestadual e voluntários.

A força-tarefa foi ampliada ao longo do fim de semana com a entrada da Marinha do Brasil, que passou a atuar no rio Mearim com o uso de side scan sonar. O equipamento permite o mapeamento do fundo do rio e da coluna d’água, mesmo em ambientes de baixa visibilidade.

Em paralelo, as buscas na mata continuam, assim como as investigações policiais. As equipes já realizaram varreduras em uma área superior a 3.200 km² — o equivalente a cerca de 450 mil campos de futebol.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, todas as hipóteses seguem sendo apuradas pela Polícia Civil. Apesar de outras linhas de investigação não serem descartadas, as possibilidades de sequestro e violência sexual perderam força após exames periciais em Anderson descartarem abuso.

Por Metrópoles