A operação da Polícia Federal contra o jornalista maranhense Luís Pablo provocou ampla repercussão nacional e passou a ser vista como possível atentado à liberdade de imprensa. O caso já ganhou destaque em grandes veículos de comunicação, incluindo TV Globo, GloboNews, UOL, CNN Brasil, e portais como G1, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, chegando a telejornais de grande audiência, como o Jornal Nacional, dentre outros.A ação policial aconteceu na manhã de terça-feira, 10, em São Luís. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, agentes federais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Luís Pablo. Foram recolhidos celulares, computador e HD externo usados em seu trabalho jornalístico, ferramentas essenciais para a apuração de reportagens investigativas.
A investigação está ligada a publicações do Blog do Luís Pablo sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino durante sua estadia no estado, tema que levantou questionamentos sobre a utilização de recursos públicos.
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| Luís Pablo |
Deputado mostra contradições de nota do STF e critica ministro
Na noite dessa quinta-feira, 12, o deputado estadual Yglésio Moyses divulgou um vídeo nas redes sociais destacando que a operação contra Luís Pablo representa uma ameaça ao jornalismo investigativo e que a nota do Supremo Tribunal Federal apresenta informações que não correspondem à realidade.
“Flávio Dino virou ministro do Supremo, mas não deixou de mentir”, afirmou o parlamentar. Ele explicou que, ao determinar a operação de busca e apreensão na residência de Luís Pablo, Alexandre de Moraes teria agido a pedido do ministro. Segundo Yglésio, a imprensa, como um todo, entende que a medida configura ameaça ao jornalismo investigativo e que a repercussão nacional do episódio só reforça sua gravidade.
O deputado criticou ponto a ponto a nota do STF. “Dizem que houve publicação de placas de veículos, quantidade de agentes e nomes de integrantes da equipe de segurança. Mentira. Nenhuma das matérias dizia isso. O veículo era um blindado do Tribunal de Justiça usado de forma indevida, mas não por Flávio Dino: quem estava nele era a esposa dele, levando os filhos para atividades esportivas”, afirmou.
Yglésio também afirmou que o veículo não tinha finalidade de segurança institucional, e lembrou que a esposa do ministro está lotada no gabinete do deputado federal Márcio Jerry sem exercer função ativa. “É bom que a imprensa nacional abra o olho. Em poucas linhas, a nota conseguiu reunir muitas informações falsas. Esse é o jeito de Flávio Dino, que agora começa a ser observado com mais atenção”, completou.
O parlamentar ainda ressaltou que a investigação tem relação com o inquérito das fake news, contestando a afirmação do STF de que não haveria ligação. Ele chamou o comportamento do ministro de “tirania”, e destacou a importância de continuar expondo atos que, em sua avaliação, prejudicam a democracia e a transparência no país.
Reportagens de Luís Pablo que motivaram a investigação
As publicações de Luís Pablo abordaram o uso de um carro blindado, pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão, por familiares do ministro. O jornalista explicou que a pauta surgiu a partir de denúncia recebida pela redação e passou por rigorosas checagens antes da divulgação.
Um vídeo recebido durante a apuração mostraria a esposa do ministro e o filho do casal no carro. Por envolver uma criança, Luís Pablo optou por não divulgar o conteúdo completo, limitando-se a publicar uma imagem congelada do momento em que o veículo deixava o local.
O jornalista afirmou ter procurado o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Justiça do Maranhão em busca de esclarecimentos antes da publicação, mas não obteve resposta imediata.
Nota oficial do STF defendendo Flávio Dino
Em resposta à repercussão, o Supremo Tribunal Federal divulgou nota oficial explicando que a investigação se refere a suposto monitoramento irregular dos deslocamentos do ministro em São Luís. O comunicado detalha que placas de veículos, quantidade de agentes e nomes de integrantes da equipe de segurança teriam sido divulgados, e que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República foram acionadas para instauração de procedimento investigativo. Tais pontos foram desmentidos pelo deputado Yglésio Moisés.
O STF destacou que a apuração não tem relação com crimes contra a honra, liberdade de expressão ou inquérito das fake news. A nota cita normas legais que regulamentam o uso de veículos de segurança pelo STF e tribunais, como a Lei nº 12.694/2012, Resolução nº 721 do STF e Resolução nº 435 do CNJ, que definem a cooperação entre órgãos de segurança institucional do Poder Judiciário.
Nota oficial do STF na íntegra
“Informamos que a segurança institucional do ministro Flávio Dino foi alertada em 2025 sobre procedimento de monitoramento ilegal dos seus deslocamentos em São Luís. Houve publicação de placas de veículos utilizados pelo ministro, quantidade de agentes e nomes de agentes de segurança, e outros detalhes. Esse material foi enviado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, seguindo-se a instauração do procedimento investigativo cabível. Portanto, a questão em investigação deriva da necessidade de apurar os citados monitoramentos ilegais dos procedimentos de segurança do ministro Flávio Dino.
O assunto não tem correlação com crimes contra a honra ou liberdade de expressão ou inquérito das fake news. Veículos de segurança são utilizados pelo STF, em colaboração com os tribunais, com base nas seguintes normas: Lei nº 12.694/2012, em especial o artigo 9º, §1º, inciso II, bem como Resolução nº 721 do STF, artigo 5º, inciso I, alínea ‘a’, e a Resolução nº 435 do CNJ, que disciplina a cooperação entre os órgãos de segurança institucional do Poder Judiciário, especialmente o artigo 19, parágrafo único.”
Reações de entidades e debate sobre liberdade de imprensa
O caso gerou manifestações de entidades ligadas à defesa da liberdade de expressão. A Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão enfatizou a importância de preservar garantias constitucionais da atividade jornalística, incluindo o sigilo da fonte.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo destacou que medidas como busca e apreensão contra profissionais de imprensa devem ocorrer apenas em casos extremamente justificáveis, já que podem comprometer diretamente o trabalho de investigação.
Na opinião geral da imprensa, a operação contra o jornalista Luís Pablo representa uma afronta à liberdade de imprensa.
Fonte: portaloinformante.com.br
Fonte: portaloinformante.com.br
