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09 julho 2026

O que está em jogo na corrida pelas duas vagas de senador no Maranhão

No momento em que a disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Maranhão se transformou em um verdadeiro campo de batalha entre pelo menos 13 pré-candidatos, vale lembrar a trajetória do jornalista, escritor, ex-governador, ex-senador e ex-presidente da República José Sarney.

Além de ocupar tantos cargos e posições de destaque, jamais alcançados por outro político na mesma escala de poder, Sarney foi o único político da história do Brasil a ser eleito cinco vezes para o Senado Federal. Presidiu a Casa por quatro mandatos e foi eleito por dois estados distintos: duas vezes pelo Maranhão e três pelo Amapá, então território federal, que ajudou a transformar em estado com a Constituição de 1988.

Sarney permaneceu cerca de 40 anos no Senado, cuja principal função é representar os 26 estados e o Distrito Federal. A Casa funciona como uma ponte entre os interesses dos estados e o Congresso Nacional. Tradicionalmente, muitos governadores encerram seus mandatos e disputam uma vaga no Senado, podendo depois retornar à disputa pelo governo estadual. José Sarney, porém, tornou-se uma exceção histórica.

Como senador pelo PDS, partido originário da Arena durante o regime militar, migrou para o MDB e integrou a chapa de Tancredo Neves na última eleição indireta para a Presidência da República. Com a internação de Tancredo na véspera da posse e sua morte dias depois, Sarney assumiu a Presidência da República em um dos momentos mais delicados da redemocratização brasileira.

Hoje, aos 96 anos, José Sarney continua sendo consultado sobre os rumos da política nacional e mantém influência na política maranhense.

Sua filha, Roseana Sarney, única mulher no Brasil eleita governadora por quatro mandatos, poderá disputar, em outubro, uma vaga no Senado Federal pelo MDB, integrando a chapa liderada por Orleans Brandão.

Os demais pré-candidatos ao Senado são: Duarte Júnior (Avante), Weverton Rocha (PDT), Roberto Rocha (Novo), Eliziane Gama (PSD), Lahesio Bonfim (Novo), André Fufuca (PP), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), César Pires (PSD), Hilton Gonçalo (Mobiliza), Antônio Cariongo, Franklin Douglas (PSOL) e Simplício Araújo (DC).

Em 2022, o Maranhão viveu um caso curioso envolvendo a única vaga em disputa para o Senado. O ex-governador Flávio Dino (PSB) foi eleito com a maior votação da história do estado, ultrapassando 2,1 milhões de votos. No ano seguinte, assumiu o Ministério da Justiça no governo Lula e, em 2024, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dino renunciou ao mandato de senador após apenas 21 dias no cargo, permitindo que sua suplente, Ana Paula Lobato, assumisse definitivamente a cadeira. Ao trocar um mandato de oito anos no Senado por uma vaga no STF, onde poderá permanecer até completar 75 anos, em 2043, Flávio Dino tornou-se o único integrante da Suprema Corte a ter ocupado funções nos três Poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

O mandato de senador oferece muito mais do que um salário atualmente superior a R$ 46 mil mensais. Os senadores possuem atribuições de enorme relevância institucional, como julgar processos de impeachment contra o presidente da República, aprovar indicações para o Supremo Tribunal Federal, Procuradoria-Geral da República e Banco Central, além de participar diretamente das decisões sobre política fiscal e revisar matérias aprovadas pela Câmara dos Deputados.

Além da remuneração, os parlamentares contam com uma ampla estrutura de gabinete, verba para assessores, cota parlamentar para passagens aéreas e transporte, auxílio-moradia, plano de saúde e diversos outros benefícios previstos pela legislação.

Naturalmente, dos atuais 13 pré-candidatos ao Senado, alguns deverão desistir antes ou durante as convenções partidárias, previstas entre 25 de julho e 5 de agosto. Os que permanecerem disputarão espaço nas chapas majoritárias e buscarão conquistar a preferência do eleitorado maranhense.

Para muitos observadores da política, acompanhar os conselhos de José Sarney pode ser uma boa estratégia. Sua trajetória impressiona: ingressou na política em 1950, iniciou a carreira no jornalismo aos 17 anos e entrou para a Academia Maranhense de Letras aos 22. Em 1955 foi eleito deputado federal; em 1965 tornou-se governador do Maranhão; e, em 1985, assumiu a Presidência da República.

Em seu currículo estão a condução da transição democrática brasileira, a promulgação da Constituição Federal de 1988 e mais de cinco décadas de protagonismo na política do Maranhão. Para muitos, trata-se de um personagem único da história política brasileira — um verdadeiro "Pelé" da política.

Por: Raimundo Borges
Bastidores o Imparcial